Perigos da Vida Moderna
A rotina do homem moderno já faz muitos moradores dos grandes centros urbanos pensarem que as 24 horas diárias não são mais suficientes. São tantas as atividades que nos exigem tempo, que muitas vezes nos esquecemos de cuidar de um item fundamental: nossa saúde.
Desde muito cedo, no início da adolescência, quando as brincadeiras já não são mais as mesmas, existe uma cobrança para que o indivíduo inicie sua preparação para o concorrido mercado de trabalho. É nessa época, quando estamos começando a pensar em qual será nossa profissão, quando nosso corpo e a cabeça sofrem mudanças em ritmo acelerado, é que começam as aulas de inglês, de espanhol, de informática e tantos outros cursos de especialização.
Tudo isso acontece simultaneamente ao colégio e a cobrança por boas notas. Depois vem o vestibular e a fadiga dos dias de estudo. Com a faculdade tem início a fase dos estágios, e os cursos de línguas e outras especializações ganham ainda mais força.
Mesmo após ingressar no mercado de trabalho as exigências seguem aumentando. Passamos em média oito horas sentados em frente a uma tela de computador, duas horas sentados (ou em pé) em carros e ônibus presos nos congestionamentos, gastamos pouco tempo para “engolir” rapidamente uma comida de qualidade duvidosa muitas vezes e ainda assim somos obrigados a buscar a constante atualização profissional se quisermos permanecer “vivos” no mercado de trabalho.
Estresse do dia-a-dia de trabalho, preocupação com contas a pagar, má alimentação e sedentarismo, quando todos somados, formam uma verdadeira bomba relógio dentro do organismo de qualquer indivíduo.
A realidade é que talvez o ambiente de trabalho tenha se modificado e acompanhado o avanço das tecnologias com mais velocidade do que a capacidade de adaptação dos trabalhadores. Os profissionais vivem hoje sob contínua tensão.
Há, portanto, uma ampla área da vida moderna onde se misturam os estressores do trabalho e da vida cotidiana. A pessoa, além das habituais responsabilidades ocupacionais, da alta competitividade exigida pelas empresas, das necessidades de aprendizado constante, tem que lidar com os estressores normais da vida em sociedade, tais como a segurança social, a manutenção da família e as exigências culturais. É bem possível que todos esses novos desafios superem os limites adaptativos levando ao estresse.
Com toda essa agitação e falta de cuidados, uma simples dor no estômago, se não tratada no início do sintoma, pode evoluir rapidamente e transformar o quadro em uma úlcera gástrica ou duodenal.
Outras manifestações físicas frequentes são: dores de cabeça, indigestão, dores musculares, insônia, indigestão, taquicardia (palpitações), alergias, insônia, queda de cabelo, mudança de apetite, gastrite, dermatoses, esgotamento físico (cansaço exagerado), enquanto que as manifestações psíquicas mais freqüentes são: apatia, memória fraca, tiques nervosos, isolamento e introspecção, sentimentos de perseguição, desmotivação, autoritarismo, irritabilidade e ansiedade.
Para evitar perder rendimento no trabalho e na vida é preciso conseguir administrar o tempo e modificar alguns pontos do cotidiano. A alimentação deve ser balanceada para repor a perda de vitaminas e nutrientes, e o consumo de verduras e frutas deve ser privilegiado.
Atividades físicas são essenciais e hoje algumas academias apresentam programas rápidos, de até meia hora, para se adaptar a vida agitada da maioria da população. É importante encontrar uma atividade que lhe dê prazer, pois a continuidade é fundamental.
Por fim procure trabalhar a estabilidade emocional. Esse talvez seja o maior desafio, mas é fundamental encarar a vida com um aspecto positivo. Falar sobre assuntos que incomodam também auxilia nesse processo.
Jornal Expansão São Paulo
Edição 165 - janeiro de 2010.